Artigos 

No artigo anterior, começamos a apresentar os elementos que podem ser determinantes para o sucesso ou não da liderança de um gestor. Agora é hora de conhecermos os demais pontos que também representam linhas tênues e que você deve considerar para que aumente as chances de ter uma trajetória bem-sucedida como líder.

6) Importância x Destaque

Que um líder é muito importante para uma equipe, não temos dúvida. Que a forma de conduzir esta equipe pode fazer total diferença no resultado final, também não.

O problema aparece quando mais que importância, o líder busca se destacar no grupo. Sempre falando de suas responsabilidades, do seu volume de trabalho, das horas dedicadas à empresa etc., o líder entra em um processo permanente de campanha eleitoral.

O líder tem que assumir que o “nós” é mais importante que o “eu”. Assim ele cresce. A equipe cresce.

7) Corrigir erros x Assumir seus erros

Embora, por vezes, desagradável, é tarefa do líder orientar, estimular e corrigir seus liderados em desempenho e procedimentos.

É direito da organização definir padrões mínimos desejados e fazer com que todos busquem, ao menos, esses padrões.

É neste momento que o líder terá que exercer seu comando, comunicando, esclarecendo, acompanhando e, acima de tudo, tendo a tolerância cabível.

Assumir que todos nós podemos errar, nos deixa em postura mais flexível e compreensiva perante a equipe.

8) Buscar o melhor x Nunca estar satisfeito

O bom líder busca o melhor de cada um e o melhor do grupo. Não se contenta com pouco e procura sempre, junto ao seu time, superar expectativas e indicadores. E isso é muito bom!

Entretanto, alguns líderes, infelizmente, acabam por desmotivar, justamente na hora em que a motivação seria um ingrediente essencial.

Na tentativa de extrair o melhor de cada um, não reconhecem pequenas vitórias e até mesmo tendências de melhoria. Batem forte no que faltou, ou até mesmo no que poderia ter sido.

Eternamente insatisfeitos, deixam no grupo um gosto de que “nunca seremos ou entregaremos o suficiente” , o que costuma levar as pessoas para baixo.

É importante cobrar e exigir o melhor, mas requer habilidade e bom senso.

9) Fazer o que gosta x Gostar do que faz

Para qualquer profissional, gostar daquilo que faz é um tremendo diferencial. Para o líder, é encantador e inspirador.

Nos momentos mais difíceis, você, líder, deve buscar desabafar com outras pessoas e não sua equipe. Não enfraqueça vínculos de confiança em um futuro melhor, chorando mágoas com seus liderados.

Conforme defendemos em nossos programas gerenciais: queixas sobem, não descem!

Assumir esta responsabilidade vai trazer maturidade e “musculatura” para o líder.

10) Resiliência x Plasticidade

Muito se fala sobre resiliência atualmente. Obviamente pela pressão que os fatores de vida e mercado exercem sobre os profissionais, é muito importante conseguir vencer estes momentos, aguentando a pressão e seguindo em frente.

Por outro lado, algumas mudanças de cenário tendem a ser definitivas, exercendo pressão pela reconfiguração de estratégias e de profissionais. É nessa hora entra a plasticidade: o profissional ser capaz de assumir “novas formas e contornos” para se adaptar ao novo cenário.

Significa reaprender e redesenhar sua trajetória profissional, se atualizando, evidenciando para equipes e organizações, sua capacidade de adaptação.

E aí, líder, conseguiu avaliar para que lado você está tendendo? Se a sua avaliação não foi das melhores, não há motivo para desanimar. A autoconsciência é o primeiro passo para se desenvolver e alcançar melhores resultados. Aliás, um dos maiores perigos está exatamente em passar diariamente pelos mesmos desafios e não se dar conta de que algumas questões que você enxerga como problemáticas são geradas por pontos cegos seus.

Portanto, pare, pense, avalie. Se for o caso, trace novas rotas, planeje mudar comportamentos e parta para a ação. Se não acertar de primeira, não tem problema. Refaça a operação. Liderança é um processo vivo. A todo o momento se pode buscar o lado que o fará triunfar enquanto líder.

Fernando Lucena
Sócio-Diretor GS&Friedman

  • Compartilhe: